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TMK - Trabalho Missionário Kaingang

No mês de maio do ano 1966, a Marburger Mission da Alemanha iniciou seu trabalho entre a povo Kaingang no Brasil. Foi naquele ano que a Dra. Ursula Wiesemann, pesquisadora linguística e missionária da Wycliffe Bible Translators, deu um curso de aprendizagem da língua kaingang no Rio das Cobras.

 

Junto com outros missionários de várias organizações, Walter e Ilsedore Hery, também, participaram como membros da agência que na época era a AICD. Gojtéj, como a Dra. Ursula é conhecida entre os kaingang, tinha começado o trabalho dela alguns anos antes e sonhava com ajuda na imensa tarefa de comunicar de diversas formas as boas novas do amor de Deus para um povo geograficamente espalhado e pouco considerado. Pelo que sabemos, Walter e Ilsedore foram os únicos daquele curso que aprenderam a falar o kaingang e continuaram a usá-lo durante os seguintes 50 anos.

Walter e Ilsedore começaram seu trabalho vivendo na Aldeia Sarsé, dentro da TI Rio das Cobras es primeiros passos se iniciaram com uma assistência emergencial na área da saúde, salvando muitas vidas de crianças com vacinas e remédios. O foco era, literalmente, na sobrevivência dos kaingang, e nas suas necessidades básicas. No convívio direto com o povo indígena, também, foram se explicitando sua autoestima denegrida, seus conflitos sociais e suas angústias espirituais. A busca por sua identidade e por seu valor, a procura por um futuro melhor, a perturbação pelos espíritos dos mortos e o exemplo vivido do amor divino pelos missionários, levaram muitos a perguntarem por Deus, a pela possibilidade de um relacionamento concreto com Ele e por uma transformação de vida.

Com esse início simples e através de muitos anos de trabalho junto com a Gojtéj, brotou algo que deu nova perspectiva aos kaingang e possibilitou mudanças que perduram até hoje.

Os primeiros anos foram especialmente difíceis. O envolvimento de Walter e Ilsedore trouxe não somente amizades, mas também ameaças, calúnias e perseguição por agentes do governo, caciques e pajés. Além disso, a cooperação com diretores e colegas da própria missão nem sempre foi fácil. No entanto, Deus os protegeu, carregou e estabeleceu durante todos esses anos. Deus sempre colocou as pessoas certas, no momento certo, ao lado deles. Alguns de vocês, que estão lendo estas informações, fazem parte desta linda história e, em nome dos kaingang, queremos agradecer por sua fidelidade durante todos esses anos.

Em 1974 foi adquirido um terreno na divisa com a TI Rio das Cobras e construído o NAI - Núcleo Assistencial Indígena Rio das Cobras, referência em um trabalho missionário integral entre indígenas.

Depois de 9 anos de dedicação intensiva, o primeiro casal kaingang se converteu. Em 1977, o Novo Testamento traduzido foi impresso e a primeira igreja kaingang foi fundada no Rio das Cobras. Respeitando o direito da livre escolha, a sua decisão por uma vida nos caminhos de Deus sempre foi uma opção e não uma imposição catequética, resultando em trabalho  comunitário e no acompanhamento dos líderes das igrejas autóctonas, visando sempre a valorização, a conscientização, a capacitação e a profissionalização indígena

 

Dessa primeira igreja, os primeiros missionários kaingang saíram para outras aldeias, mais pessoas se converteram e novas igrejas foram estabelecidas. Hoje, existe pelo menos uma igreja evangélica em cada aldeia kaingang, e os líderes dessas igrejas são cristãos kaingang da segunda e terceira geração.

 

Paralelamente, a base do trabalho indígena da missão no Rio das Cobras cresceu e muitas pessoas receberam ajuda, no corpo, na alma e no espírito. No auge do trabalho da MCD entre as tribos Kaingang e Guarani, entre 1995 e 2005, ela contava-se com 13 missionários e duas bases bem equipadas para vários tipos de trabalho.

 

Em 1995, Ka’egso (Filho do casal Walter e Ilsedore) retornou dos seus estudos na Alemanha com sua esposa Christiane para, agora como adulto, compartilhar o amor de Cristo entre os kaingang. Eles se decidiram morar ao lado da terra indígena Queimadas, no município de Ortigueira/PR, onde continua seu ministério até a data atual. Colaborava intensivamente com vários comitês de trabalho a nível nacional e cooperava produtivamente com departamentos do estado em projetos de saúde, educação e desenvolvimento comunitário.

 

Esta abordagem integral de missão levou, com o tempo, à independência de algumas dessas iniciativas. Algumas foram adotadas e ampliadas pelo estado e outras pelas próprias comunidades indígenas.

 

Com esse desenvolvimento nas aldeias e a contínua redução dos recursos humanos e financeiros por parte da MCD na última década, hoje, a contribuição como instituição missionária entre os kaingang é caracterizada pelo trabalho intensivo na revisão e conclusão da Bíblia em sua língua materna.

 

Também visitamos as igrejas kaingang e acompanhamos os líderes das igrejas na sua tarefa, nada fácil, de cuidar de cristãos da terceira geração. Comunicar a liberdade do evangelho para a igreja kaingang, cada vez mais independente, é sempre um desafio.

 

Não estaríamos comemorando se Deus não tivesse sempre dado, no momento certo, as forças necessárias e amigos que nos apoiassem. Não temos palavras para expressar o quanto somos gratos pelas suas orações e apoio!